1. Sobre Manuel María

Nasci em Curitiba e fui afortunado duas vezes, primeiro, por ser curitibano e, segundo, por pertencer a uma família, cujas origens, por parte de meu pai, remontam às cidades queridas de Antonina e Morretes e por parte de minha mãe, às metrópoles de Madri e Nápoles.

Como Manoel Claro, meu nome de batismo, passei a vida escrevendo sob a perspectiva do homem inteligente, mas sem muito futuro, preso a responsabilidades familiares enormes e sem tempo para mudar o meu destino.  Escrevi muitos pequenos livros de poemas, reunidos em 2007 num só volume, intitulado “DE UM PASTOR DE ESTRELAS ”, publicado às minhas custas pela Editora Juruá.  Leio e releio os poemas nele inseridos e tenho comigo que estava apenas arranhando a porta da Poesia. Os últimos poemas, escritos durante o Curso de Medicina, considerava-os derradeiros, pois havia sofrido demais com a enfermidade de minha primeira esposa.  Perdera o rumo depois de sua morte e, só a muito custo, conseguia levar uma existência sofrível.  Tantos erros que cometi por falta de visão e me ressentia da falta de fé em mim, nos outros, em Deus…  Passei os dez anos seguintes sem ler e escrever poemas, tal a dureza do meu coração.

Nesse período casei-me novamente e tive tempo (ainda tenho) de me arrepender da decisão tomada, pois o romance foi um desastre.  Ao desamor da minha vida, longas histórias de uma infância mal vivida acrescentaram na maturidade, um capítulo amargo de traição e desespero.  E se temia passar o resto da minha existência solitário e triste, tinha mais medo ainda de viver com o peso do fracasso por ser incompetente em ser feliz ou fazer uma mulher feliz.

Conheci Rosana de Fátima.  Então, o estro que dormitava entre cinzas e sombras, despertou por uma nova visão do amor, para a descoberta dele em mim.  Não foi fácil o nascimento de Manuel María, pois havia prometido a mim mesmo jamais escrever poemas.  Então, em homenagem às minhas origens espanholas, passei a assinar Manuel María Ramírez y Anguita. Creio que isso tudo me justifica o heterônimo.

Hoje estou só, novamente, mas procuro ser mais sincero que antes.  Menos obtuso em minhas meditações, tenho comigo que fiz muitos bons amigos, que se não gostam do que escrevo ou do modo como escrevo, tanto como eu gostaria, ao menos me toleram, feito um aprendiz de poeta.

A idéia de criar um site para expor minhas idéias a respeito da poesia e do poema, foi de meu neto, Carlos Alexandre, que se transformou em meu assessor de comunicação. Não poderia ter sido mais feliz, pois, aos poucos, o site vai conquistando seu espaço. O primeiro passo foi dado para rediscutir alguns assuntos formais e espirituais da arte de escrever versos. Espero que você goste

Manuel María / Manoel Claro

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